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Por carla - 18 de junho de 2010.
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“Na verdade, em nosso modo de ver o aspecto mais importante da interface felicidade-organização ocorre em nível mais profundo. É no nível do desejo, e não no da satisfação, que o tema da felicidade emerge com todas as suas cores. Nem mesmo os defensores das teorias motivacionais à americana cometem o erro de confundir satisfação com felicidade.”Confira abaixo mais trechos do artigo de Pedro Bendassolli, doutor em Psicologia Social pela USP “A primeira questão que temos de responder é qual a relação entre felicidade e trabalho. Algumas pessoas acreditam que ambas não têm qualquer relação, sendo antes contraditórias: feliz é quem não precisa trabalhar. Contudo, há aqui claramente um paradoxo, talvez típico da cultura brasileira: ao mesmo tempo em que as pessoas desejam o trabalho quando não o têm, elas diminuem seu valor quando empregadas.” “A angústia de ser desempregado só se iguala à angústia de ter um patrão. É provável que esse paradoxo se explique no contexto da tradição ocidental sobre a felicidade anteriormente apresentado: de um lado, o ideal da felicidade como vida boa – uma vida simples, tranqüila e estável, com poucos desejos, mas desejos certos; de outro, o ideal moderno do sucesso – uma vida agitada, acossada pelo fantasma do fracasso, pelo medo de não ter status ou de ficar ‘empacado’.” “O trabalho é uma importante forma de pedagogia do caráter.” “É importante lembrar que, nas principais correntes de gestão de pessoas da atualidade, não encontramos, explicitamente, a palavra felicidade, mas sim uma tradução objetiva dela: satisfação ou motivação.” “Enquanto a felicidade depender de acumulação de renda, patrimônio, sucesso, status e poder, continuaremos a ser infelizes. E por quê? Porque, diria Schopenhauer refletindo os antigos, não temos controle sobre as coisas externas a nós. Isso, não há dúvida, pode parecer estranho e contraintuitivo para a maioria dos leitores deste texto. Mas não há acumulação suficiente que possa saciar nossas aspirações; propriedade e desejo nunca se ajustam, exceto em equilíbrio instável. Como disse em certa monta Max Weber, o homem só vai parar quando consumir o último combustível fóssil deste planeta. Talvez o remédio seja aceitar a sobriedade e o comedimento freudianos, que nos trazem de volta um pouco do estoicismo e do epicurismo antigos.” | |



























