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Por Santo de Casa - 17 de agosto de 2010.
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Carla Petry Parafraseando Roberto Carlos, “se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi…”. Pois é! Foi grande a adrenalina. O som de uma sirene sou por 60 segundos, indicando o início de uma emergência em alto-mar. Todos os presentes na área marítima reuniram-se no ponto de concentração para aguardar as orientações. Um possível vazamento de 150 litros de óleo diesel alertava: “É hora de ir para o mar”. Colete salva-vidas, capacete de proteção, máquina fotográfica e um bloco para anotações e eu estava pronta para embarcar. Quatro lanchas se dirigiram, às 10h45, rumo a Tramandaí para ver o que estava acontecendo. Ao mesmo tempo, uma equipe, em terra, deslocava-se para a beira da praia e verificava se aparecia algum indício de “danos ao meio ambiente”. Partimos… A arrebentação e o mar colaboraram para que eu não enjoasse. Em compensação, outros colegas, como o Caco… (deixa pra lá). Barras de contenções foram infladas no mar e algumas pessoas começaram a enjoar. As lanchas formavam uma letra “U” e o produto foi preso em uma emboscada. O removedor de óleo foi posto na água e fez a limpeza do mar. Olhei para o lado e procurei o navio ancorado. Não enxerguei nada! A neblina desceu de tal forma, que mal via as lanchas a poucos metros da gente. Tudo isso ocorreu em três míseras horas, que pareceram séculos. A essa altura, quase uma hora da tarde, a fome começou a bater e o enjoo deu sinais de querer aparecer. Mas resisti, não vou me entregar! Sol alto, mar verde, pouco vento… São Pedro colaborou com a atividade e proporcionou belas fotos durante boa parte do percurso. Demorei para avistar qualquer “corpo estranho” em alto mar, pois estávamos a quatro quilômetros da costa. Mas vi alguma coisa boiando e aos poucos se separando, pois a correnteza era norte. Correnteza norte??? É… Acontece quando as águas arrastam tudo no sentido da praia de Torres. Voltei da proa para a pequena cabine do marinheiro e conversei com a equipe… Eles brincavam: “Esse aí (o Caco), a gente sabia que ia passar mal… Entramos no mar e ele já ficou branco”. Laranjas em alto-mar Ricardo Rocha, o Caco Eu estava muito feliz por estar tendo a oportunidade singular de viajar em alto-mar, pois para quem durante 30 anos via lá da areia aqueles navios gigantes, essa mudança de perspectiva era instigante. Aquele local do litoral também me lembrava as primeiras “noites” da minha vida, quando tinha lá 14 anos e me tocava de Dindinho para Imbé tomar porre e incomodar as gurias… Mal esperava eu a peça que o destino ia me pregar naquela fatídica manhã no litoral. Todos sabíamos que se trataria de uma operação simulada, que o alarme iria ser tocado de mentirinha, que aquela reunião logo após o alarme seria de mentirinha e que o vazamento na realidade era um curioso vazamento de laranjas em alto-mar. De fato, salvar algumas laranjas do afogamento em alto-mar é uma tarefa que nem mesmo ao mais fervoroso ambientalista iria mobilizar, mas a imersão de mais de 40 minutos em alto-mar não pode ser feita de forma estabanada e nada poderia ser esquecido. Nada de mochilas ou pequenas caixas. Pense em coisas grandes sendo içadas de guindaste. 11 horas da manhã e finalmente embarcávamos rumo a nossa aventura em alto-mar. Subitamente, notei que emudeci. Havia algo orgânico acontecendo que me impedia de desfrutar do “passeio” com os convivas de bordo. Começava a entender o que havia acontecido com a nossa querida diretora que quase morreu de enjôo, fazendo inclusive o barco voltar, outrora, quando iria cobrir uma matéria na monoboia. Achava que o mal-estar se dava por medo do mar ou alguma coisa parecida, mas somente lá fui entender o valor de uma terra firme. Silêncio. Desconforto. Enjôo. A praia ficando distante, aqueles barcos lá de dentro aumentando de tamanho, um cheiro de laranja no caminho. Tenho flashes de lembranças. Para mim, uma experiência muito semelhante a de encher a cara de capetas na beira da praia, nos verões modorrentos do nosso litoral. Dificuldade de ficar em pé, perna bamba. Depois fui saber que o comentário geral era como eu tinha ficado branco rapidamente ao embarcar. Vi muito pouco da operação. Uma hora a colega Carla, sentindo a minha situação de desconforto venho em meu auxílio: “vai, come uma bolachinha, Caco”. Não deu outra. 5 minutos depois estava eu brava e discretamente alimentando os peixes com material orgânico. Então dali há pouco já começava a conversar com o pessoal de bordo e entender que mesmo os marinheiro antigos enjoam. O segredo é fazer uma boa alimentação antes de entrar em alto-mar, que era exatamente o que eu achava que não devia ser feito. Só lá dentro fui descobrir que o enjôo acontece por causa de um líquido que fica balançando dentro de nós e origina todo o mal-estar. Realmente, não é uma situação nada natural para mamíferos bípedes como nós. | |
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Deve ser horrível esta sensação. Mas foi bom ver o depoimento de vocês para que eu tenha certeza que jamais irei…hehehehe



























