‘Eu não sou seu guru’: As lições do maior coach de carreira do mundo

O documentário original da Netflix Eu não Sou o Seu Guru registra a vida do reconhecido life coach e autor de best-sellers sobre carreiras, Tony Robbins, num filme revelador que acompanha os bastidores do grandioso seminário anual Date with Destiny (Encontro com o Destino). Com acesso total sem precedentes aos bastidores, o filme é uma viagem emocional a este evento controverso e modificador.


Anualmente, mais de 200 mil pessoas assistem a um dos programas de Robbins. Durante seis dias e noites, ele instiga os participantes a irem além dos seus limites, através de uma análise à sua verdadeira identidade, as mais profundas, as relações íntimas e a força motriz por trás de todas as suas ações.


Pela primeira vez, Tony Robbins autorizou que uma equipe de filmagens documentasse não apenas o próprio evento, mas também toda a intricada produção do seu seminário, onde revela um regime diário rigoroso, os seus exigentes padrões de produção do evento, o funcionamento da sua equipe criativa e um retrato das experiências pessoais mais íntimas dos participantes.


As lições que você pode tirar para a sua carreira – e sua vida

Robbins acredita que a força invisível do impulso interior, ativada, é a coisa mais importante do mundo e que a emoção é a força da vida. Todos sabemos pensar e com nossas mentes conseguimos fazer qualquer coisa. Mas nem sempre aplicamos tudo aquilo que sabemos. Existe uma teoria que diz que agimos somente por interesse próprio. Você não segue o seu interesse todo o tempo. Porque quando a emoção aparece, as coisas mudam completamente.

É fundamental sabermos o que nos move e explorar onde estamos por duas razões:



  1. Para contribuir melhor
  2. Para não apenas compreender melhor as outras pessoas, mas talvez estimá-las mais, e criar os tipos de conexões que podem resolver os desafios que temos hoje na sociedade


Realização e Satisfação

Líderes eficazes possuem a habilidade para consistentemente movê-los e aos outros para a ação porque eles compreendem as “forças invisíveis” que nos moldam. Robbins estuda há muito tempo as respostas às perguntas “o que faz a diferença na qualidade de vida das pessoas?” e “o que faz a diferença no desempenho das pessoas?”. Como produzir resultados agora, como fazer mudanças de forma rápida, o que define a capacidade das pessoas de contribuir, de fazer algo além de si mesmas? Olhando para a vida, Robbins diz que há 2 lições principais na vida:

  1. Ciência da realização (achievement) – como transformar um sonho em realidade, seja o que for – negócios, dinheiro, contribuição, corpo, família. Ciência é fácil. Uma vez conhecidas as regras, escreve-se o código, segue-o e consegue os resultados. Uma vez conhecido o jogo as respostas já são conhecidas.
  2. Arte da satisfação (fullfilment) – esta é raramente dominada. A razão é que ela tem a ver com apreciação e contribuição. Você só pode sentir tudo isso por si mesmo, não conseguie ir longe sozinho. Robbins busca responder a questão da pergunta real: Por que pessoas que têm todos os recursos, família, dinheiro, educação, acabam desperdiçando suas vidas em reabilitação e outras pessoas que passaram por muita dor e sofrimento – psicologicamente, sexualmente, espiritualmente, emocionalmente -, não sempre mas frequentemente, se tornam algumas das pessoas que mais contribuem com a sociedade.

Então, a questão que devemos nos perguntar é “o que nos molda?”. A maioria da sociedade acredita que destinos já estão traçados. Mas o que devemos nos lembrar, e não só intelectualmente, porque podemos saber algo intelectualmente, saber o que fazer e então não usar, não aplicar, mas lembrar-nos que a decisão é o poder supremo. Todo mundo já fracassou uma vez ao tentar fazer alguma coisa. E quando apontam as causas do fracasso, o que todas as razões têm em comum? São uma reclamação por recursos que faltavam. Foi a falta de tempo, dinheiro, tecnologia, contatos, experiência, gerenciamento.Mas o fator decisivo nunca são os recursos, é a engenhosidade (resourcefulness). Criatividade, Determinação, Amor/Cuidado (Caring), Curiosidade, Paixão. Se você tem emoção, emoção humana, se comunicar com toda emoção provavelmente vencerá. Se temos a emoção certa, podemos realizar qualquer coisa, passar por tudo. Esta é o recurso supremo. Mas não é essa a história que nos contam.



Decisão
Se decisões moldam destinos, o que os determina são 3 decisões:

  1. No que eu vou focar? O foco é o sentimento. Agora mesmo, você precisa decidir no que vai focar. Neste segundo, consciente ou inconscientemente. No passado, no presente ou no futuro, para si ou para os outros. E, no minuto em que decide no que focar, deve dar algum significado a isso.
  2. O que isso (meu foco) significa? O seu significado produz emoção. Isso é o fim ou o começo, uma recompensa de Deus, uma punição ou o acaso? Uma emoção, então, cria o que nós vamos fazer, ou a ação.
  3. O que eu vou fazer? Vai desistir ou ir em frente?

Nos últimos 5, 10 ou 15 anos, quantas decisões você tomou que se fossem diferentes sua vida seria completamente diferente? Como seria se o Google decidisse vender a tecnologia ao invés de criar sua própria cultura? E alguém como Lance Armstrong que descobriu que tinha câncer no testículo? Mas qual foi sua decisão de no que focar? Diferente das outras pessoas. O que isso significou? O câncer foi o começo. O que você vai fazer? Seguir em frente. Lance Armstrong venceu sete campeonatos sem nunca ter ganhado um campeonato sequer antes do câncer, porque adquiriu fitness emocional, força psicológica. Essa é a diferença que Robbins viu nas 3 milhões de pessoas com quem já esteve.


O que Molda as Pessoas
Depois de conhecer tantas pessoas, os padrões ficaram evidentes. O que molda Lance, você? Duas forças invisíveis.

  1. Estado (No Momento). Todos nós tivemos vezes em que dizemos “não acredito que disse ou fiz aquilo!” ou em outras vezes queremos dizer “caham, esse era eu!”. Não foi habilidade, foi seu estado, físico e emocional.
  2. Modelo do Mundo (Longo Prazo). O seu modelo de mundo é o que nos molda a longo prazo. É o filtro, o que faz as pessoas tomares decisões. O formador de significado, emoção e ação.

Quando queremos influenciar alguém, temos que saber o que já o influencia. E isso é feito de 3 partes, Robbins acredita.

  1. Qual o seu alvo? O que você busca? Não são os desejos, metas ou objetivos, mas as necessidades.
  2. Mapa. Uma vez que saiba qual o alvo que o move e você o descobre verdadeiramente – você não o forma, o descobre – então você descobrirá o seu mapa: quais os sistemas de crenças que dizem como você consegue satisfazer essas necessidades. Algumas acreditam que é destruindo o mundo, outras construindo algo, amando alguém.
  3. Combustível que você pega

As 6 Necessidades Humanas

1. Certeza. Todos precisam de certezas para evitar dor e ao menos ficar confortável. Se você não tem certeza sobre sua saúde, filhos, dinheiro, você não pensa em nada. Se não houver certeza de que o teto não cairá, não haveria palestra. Mas, mesmo procurando certeza sempre, com certeza total – sabendo o que vai acontecer, como, quando – as coisas se tornariam um tédio total. Por isso Deus, em sua infinita sabedoria, nos deu a segunda necessidade.

2. Incerteza. Precisamos de variedade, de surpresa. Queremos as surpresas que queremos, mas as que não queremos nós chamamos de problemas. Mas precisamos de problemas.


3. Importância (Significado). Crítica. Todos precisamos nos sentir importantes, especiais, únicos. As pessoas conseguem isso ganhando mais dinheiro, com tatoo, piercing, esprititualidade. De qualquer forma, a maneira mais rápida de se conseguir isso se você não tem passado, nem cultura, fé e recursos, ou engenhosidade, é por meio da violência. Se coloco uma arma na sua cabeça e moro no beco, na hora sou importante, tenho certeza de que você vai responder, tenho a incerteza – ninguém sabe o que vai acontecer -, a variedade. E tem significado. Então você vai querer arriscar a sua vida por isso. Por isso a violência sempre existiu, e vai continuar existindo a não ser que tenhamos uma mudança de consciência, como espécie. Você pode conseguir significado de diversas formas, mas para ser importante deve ser único e diferente.


4. Amor e Relacionamento. Todos realmente precisamos e queremos isso. A maioria das pessoas busca relacionamento porque o amor assusta. Todos já se machucaram em uma relação íntima. E vão se machucar de novo. Mas é a verdade, precisamos disso. Podemos ter por intimidade, amizade, oração, andar na natureza ou com um cachorro.

Essas 4 necessidades todo ser humano encontra como satisfazer. São chamadas as necessidades da personalidade. Mas as últimas duas necessidades do espírito, e é delas que vem a satisfação. Você não consegue a satisfação rápido.


5. Desenvolvimento (Growing). Para conseguir satisfação você precisa evoluir. Se um relacionamento não está se desenvolvendo, se um negócio não está se desenvolvendo, se você não está se desenvolvendo, não importa quanto dinheiro você tenha, quantos amigos você tenha, quantas pessoas amam você, você se sente mal. E a razão para evoluir, Robbins acredita, é que precisamos ter algo para dar de valor.

6. Contribuir além de si mesmo. Todos sabemos, mesmo parecendo sentimental, que o segredo da vida é doar. A vida não é sobre “eu”, é sobre “nós”, é o que entusiasma. Quando as pessoas doam, elas têm um chamado, pode-se ver a mudança nela e isso pode tocar outras pessoas.


As Decisões de Robbins
Robbins conta como sua vida foi tocada: quando tinha 11 anos, no Dia de Ação de Graças, sua família nã tinha dinheiro nem comida. Seu pai estava sem rumo, sua mãe o ajudava a saber o quão ruim ele era e alguém veio à porta e entregou comida. Seu pai fez três decisões. Seu foco foi “Isto é caridade”. O que isso significava? “Eu não valho nada”. O que tenho que fazer? “Deixar minha família”. Foi o que ele fez. Minhas três decisões me deram um caminho diferente. No que focar? “Há comida!”. Segundo, – isto foi o que mudou minha vida, o que me moldou como ser humano – “É presente de alguém, e eu nem sei quem é”. Meu pai sempre dizia “Ninguém se importa”. E, de repente, alguém que eu não conheço, sem pedir nada, nos procura e entrega comida. Isto me fez acreditar – o que significa? “Estranhos se importam”. O que me fez decidir que “se estranhos se importam comigo e com minha família, eu me importo com eles”.


O que vou fazer?

“Vou fazer algo que faça a diferença”. Minha meta por anos foi ter dinheiro suficiente para alimentar duas famílias. A coisa mais divertida que fiz na minha vida, a mais tocante. No ano seguintes conseguia alimentar quatro. Não contei a ninguém o que estava fazendo. No ano seguinte oito. Não estava fazendo para ganhar pontos, mas depois de oito eu pensei, caramba, eu poderia usar alguma ajuda. Então eu envolvi meus amigos e criei empresas e então consegui 11 empresas e construí uma fundação. Agora, 18 anos depois, no último ano alimentamos 2 milhões de pessoas em 35 países pela fundação, tudo durante os feriados de Dia de Ação de Graças e Natal.


Eu não lhe digo isso para me vangloriar, digo isso porque tenho orgulho dos seres humanos, porque eles se motivam a contribuir uma vez que tenham a chance de experimentar isso, não conversar sobre isso.

Todos temos as mesmas necessidades, mas o sistema que está no topo o desloca para uma direção diferente. Você valoriza mais a certeza ou a incerteza? E conforme você se move em uma direção, você tem um destino. A segunda peça é o mapa. Ele é o sistema operacional que diz como chegar lá. Algumas pessoas têm um mapa que diz “vou salvar vidas mesmos que eu morra por outras pessoas”, e se tornam bombeiros. Outras têm um mapa que diz “vou matar pessoas para fazê-lo”, e se tornam soldados. Eles estão tentando encontrar as mesmas necessidades de importância, tentam honrar a Deus ou a sua família, mas possuem um mapa diferente. Há sete crenças diferentes. Se você tem um alvo e um mapa, imagine que suas crenças garantirem que você nunca chegará aonde você quer? A última peça é a emoção. Há 6.000 palavras na língua inglesa para representar emoções. Mas se eu pedisse para 20.000 pessoas escreverem todas as emoções que tiveram em uma semana normal, dando todo o tempo que precisassem, as pessoas experimentariam menos de 12 emoções. E metade delas as fazem se sentir mal.


Em um seminário no Havaí, disse na parte do treinamento denominada “Emotion Mastering”: “Quando as pessoas começam a viver? Quando encaram a morte”. E então perguntei “se vocês estivessem para sair dessa ilha, se em nove dias vocês fossem morrer, para quem iriam ligar, o que iriam dizer, o que iriam fazer?”. Naquela noite, quando aconteceu o 11 de setembro, uma mulher, cujo namorado anterior havia sido sequestrado e assassinado, tinha sido pedida em casamento pelo novo namorado e tinha dito não. Ele disse “se você sair agora e for para o Havaí, acabou”. Ela disse “acabou”. Quando eu terminei naquela noite, ela ligou para ele e deixou uma mensagem no topo do World Trade Center, onde ele trabalhava, dizendo “Amor, eu te amo, eu só quero que você saiba que quero me casar com você. Eu fui uma estúpida”. Ela estava dormindo, porque eram 3 da madrugada, quando ele ligou de volta do topo e disse “amor, eu não posso dizer o que isso significa”, ele disse “eu não sei como dizer isso, mas você me deu o maior presente, porque eu vou morrer”. E ela tocou a gravação para nós na sala. Ela esteve no programa do Larry King depois e ele disse “você provavelmente está pensando como isso pode acontecer duas vezes. Tudo que eu posso lhe dizer é que esta deve ser a mensagem de Deus para você. De agora em diante, todo dia, dê tudo de si, ame ao máximo. Não deixe nunca nada parar você”.


Ela termina e um homem se levanta e diz “Eu sou do Paquistão, sou muçulmano. Eu adoraria apertar a sua mão e dizer sinto muito mas, francamente, isso é retribuição”. Eu trouxe este homem ao palco com um homem de Nova Iorque e disse às pessoas: “No que vamos focar? O que isto significa e o que vamos fazer?”. Pegue o grupo e fiz as pessoas focarem “se você não perdeu ninguém hoje, seu foco vai ser como servir outra pessoa”. Peguei este homem e fiz o que chamam uma negociação indireta. Um judeu com a família em território ocupado, que morava em Nova Iorque e teria morrido se estivesse no trabalho e este homem que queria ser terrorista. A integração que aconteceu está em um filme. Mas os dois não só se uniram e mudaram suas crenças sobre o mundo mas trabalharam juntos para trazer por várias mesquitas e sinagogas a idéia de como criar paz. E ele escreveu um livro, chamada “My Jihad, My Way of Peace”. Então, a transformação pode acontecer.


Fonte: https://www.linkedin.com/pulse/?trk=bl

Um comentário sobre “‘Eu não sou seu guru’: As lições do maior coach de carreira do mundo

  1. EDISON ARAUJO Responder

    Eu já havia feito alguns estudos sobre a vida de Anthony Robbins, mas gostei muito dessa reportagem sobre ele.
    Parabéns!

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