Comunicação Colaborativa nas organizações. Como melhorar a “interpretação de texto”

Evitar o retrabalho, ter maior adesão do colaborador a ideias e projetos, melhorar o relacionamento e a performance, impactando em melhores resultados são alguns dos benefícios da comunicação colaborativa dentro das organizações. Para falar sobre esse assunto, a Santo de Casa Endomarketing conversou com a consultora e mentora em desenvolvimento de pessoas, equipes e lideranças Renata Bidone sobre esse conceito dentro da abordagem do coaching ontológico* e da comunicação não violenta**. Trazemos aqui alguns tópicos para reflexão.

“Comunicação colaborativa tem por objetivo gerar, a partir da abordagem e das palavras utilizadas, um tom, e, acima de tudo, a consideração a partir das necessidades e sentimentos que os outros têm num processo de interação de comunicação.”

“A partir da empatia eu consigo estabelecer uma forma de conversar de uma maneira um pouco diferente, gerando um convite à cooperação, à colaboração. A maneira como a gente se expressa, as palavras utilizadas, a empatia que pode estar presente ou não nessa interação com o outro, podem se tornar um convite à colaboração ou podem fechar portas e criar resistência.”

“Na área organizacional, a comunicação é um dos principais pontos de atenção, pois ela pode se tornar um potencial facilitador de resultados, como se tornar geradora de conflitos, resultando em perda de rendimento, produtividade e energia.“

“A partir da qualidade dos diálogos, do poder da linguagem, é possível abrir possibilidades de ação. Trabalhar a comunicação de uma maneira que se apresente um método para qualificar a interação com o outro, ajuda a aprimorar relacionamentos e promover melhores resultados.”

“A comunicação colaborativa é aplicada a partir de ampliação da consciência das pessoas que vão se comunicar. Um exemplo quando se pensa em colaboração é colocar-se no lugar do outro, que neste caso não se aplica. Os recursos emocionais, a história de vida daquela pessoa, os valores e uma série de outros fatores pertencem ao indivíduo. Então, ao tentar me colocar no lugar dele pode me convidar para um julgamento, pois talvez a situação que ele esteja passando pode ser uma situação fácil de ser administrada para mim, pelos recursos psicológicos, emocionais e vivências que eu já tive.”

“A pessoa precisa ter uma abertura para o novo, ser autocrítica, mergulhando em como tem se expressado. Mesmo que ela não se comunique (não se posicione), também está intervindo na própria realidade da interação com o outro. Então, desenvolver comunicação colaborativa tem como premissa assumir um senso de responsabilidade e estar disposto a empreender um esforço para melhorar a realidade e os resultados da interação com demais pessoas, colegas.”

“Hoje vemos as organizações com uma necessidade cada vez maior de ter um propósito, perceber prazer nas suas atividades.  Isso leva a uma demanda para os líderes e tomadores de decisões em que o poder coercitivo – aquele onde eu mando e tu obedece, não se aplica à realidade atual.”

“Os líderes são demandados no desenvolvimento das capacidades de influência de uma forma muito mais expressiva, então é preciso que ajudem o colaborador a ver propósito nas atividades que está sendo solicitado, para que ele empreenda uma energia mais qualificada, constante e intensa, encontrando sentido no seu trabalho, buscando senso de pertencimento, senso de utilidade, e, acima de tudo, de realização pessoal.”

No campo prático, Marshall B. Rosenberg propõe algumas formas de aplicar a comunicação não violenta, que pode ser usada nas relações pessoais e profissionais. Segundo o psicólogo, fazer um exercício composto de quatro passos ajuda nessa comunicação. São sutilezas que fazem a diferença na hora de afirmar ou solicitar algo.

  1. Observação: olhar o que está de fato acontecendo numa situação. O que estamos vendo os outros dizerem ou fazerem que seja enriquecedor ou não para nossa vida? O truque é ser capaz de articular essa observação sem fazer nenhum julgamento ou avaliação – mas simplesmente dizer o que nos agrada ou não naquilo que as pessoas estão fazendo.

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  1. Sentimento: em seguida, identificar como nos sentimos ao observar aquela ação: magoados, assustados, alegres, divertidos, irritados, frustrados etc.

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  1. Necessidades: reconhecer quais de nossas necessidades estão ligadas aos sentimentos que identificamos. O que se quis dizer com tal afirmação, frase do outro? O que meu colega (ou eu) queria quando usou aquele tom no diálogo?

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  1. Pedido: formular pedidos com clareza e de forma positiva.

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Com isso, o colaborador entende o senso de pertencimento, que por sua vez se conecta com a co-responsabilidade, e ele tem clareza sobre o que a empresa espera dele, qual é o seu papel dentro dessa organização, qual é a função e o propósito do seu cargo, ou da função que desempenha, e como agregar valor e sentido com sua atividade e esforço pessoal.

*Coaching Ontológico: ferramenta que facilita o processo de aprendizagem.

**CNV: habilidades de linguagem e comunicação humanizadas desenvolvidas pelo psicólogo Marshall B. Rosenberg, nos anos 1960, mesmo em condições adversas. A CNV ajuda a reformular a maneira pela qual nos expressamos e ouvimos os outros.

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